Mais do que uma manifestação cultural brasileira, a capoeira é uma ferramenta de educação, inclusão e preservação da história. Celebrado nesta segunda-feira (3), o Dia do Capoeirista destaca a importância dessa prática que reúne esporte, música, cultura e ancestralidade.
A modalidade contribui para a formação de crianças, jovens e adultos, promovendo valores como disciplina, respeito, responsabilidade, companheirismo e perseverança.
Há 23 anos na capoeira, a contramestre de São Vicente, Thalita Barbosa Gonçalves Martins, de 32 anos, encontrou na modalidade uma missão que vai além do ensino dos movimentos.
Moradora de São Vicente, ela integra a Associação de Capoeira Nova Visão, liderada pelo mestre Altair José dos Santos, conhecido como Mestre Chocolate, e desenvolve um trabalho voltado à formação cidadã.
Segundo Thalita, o objetivo é formar pessoas, ensinando valores que ultrapassam a roda de capoeira. A prática incentiva o respeito ao próximo, a superação de desafios e a tomada de boas decisões dentro e fora da atividade.
Thalita iniciou sua trajetória ainda na infância, após insistir para que sua mãe permitisse sua participação nas aulas, já que naquele período a capoeira era vista como um ambiente predominantemente masculino.
Com o passar dos anos, a modalidade se transformou em profissão. Sua primeira experiência como professora aconteceu em 2016, em um projeto social no bairro Náutica III, onde identificou o potencial transformador da capoeira.
Atualmente, ela ministra aulas para crianças, adolescentes e adultos, promovendo desenvolvimento físico, cognitivo, social e cultural.
A prática da capoeira contribui para a coordenação motora, equilíbrio, força, flexibilidade, condicionamento físico, musicalidade e convivência em grupo.
Além dos benefícios corporais, a modalidade aproxima os participantes da cultura afro-brasileira e fortalece o conhecimento sobre história e ancestralidade.
Para Thalita, a capoeira representa resistência e valorização da identidade cultural. A prática nasceu como uma forma de luta pela liberdade e permanece como símbolo de ancestralidade e preservação da história.
Ao longo da carreira, experiências vividas com alunos reforçaram a importância do trabalho desenvolvido. Um dos casos envolveu uma aluna que conseguiu evitar uma agressão utilizando uma esquiva aprendida durante as aulas, sem recorrer à violência.
A situação demonstrou como a capoeira pode desenvolver autocontrole, consciência corporal e capacidade de lidar com desafios.
Apesar das conquistas, Thalita destaca que a modalidade ainda enfrenta desafios relacionados à falta de valorização e aos preconceitos ligados à sua origem afro-brasileira.
A capoeira é uma manifestação cultural, esportiva e educativa aberta a todos, independentemente de crenças ou origens.
Neste Dia do Capoeirista, a data reforça a relevância de uma prática reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, que continua preservando tradições e transformando vidas dentro e fora da roda.