Cubatão Saúde
Planejamento reprodutivo fortalece a saúde materno-infantil em Cubatão
Oferta gratuita do Implanon contribui para a redução da gravidez na adolescência e melhora indicadores de saúde no município.
28/07/2026 09h19
Por: Redação

Planejar uma gravidez também é uma forma de cuidar da infância. Em Cubatão, esse cuidado é fortalecido por uma política pública que amplia o acesso das mulheres ao planejamento reprodutivo e reforça a rede de atenção materno-infantil. Entre as principais estratégias está a oferta gratuita do Implanon, método contraceptivo reversível de longa duração, que já apresenta resultados positivos na redução da gravidez na adolescência e na melhoria dos indicadores de saúde.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, desde o início da estratégia, implantada em 2022 no Serviço de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Saism), até maio de 2026 foram realizados 1.320 implantes. A iniciativa busca prevenir a gravidez não planejada, ampliar o acesso aos contraceptivos reversíveis de longa duração (Larc) e garantir os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.

Cubatão foi o primeiro município da Baixada Santista a instituir legislação específica para garantir o acesso gratuito ao Implanon para mulheres em idade fértil residentes na cidade, antecipando-se à ampliação da oferta do método pelo Ministério da Saúde. De acordo com a chefe do Saism, Andrea Aragão, além de ampliar o acesso ao contraceptivo, a iniciativa fortaleceu a divulgação de informações sobre planejamento reprodutivo e os serviços de saúde voltados às mulheres.

O Implanon é um implante subdérmico que libera etonogestrel de forma contínua por até três anos, sem necessidade de intervenções durante esse período. Após esse prazo, o dispositivo pode ser retirado e substituído imediatamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Cubatão, o método é regulamentado pela Lei Municipal nº 4.429/2025 e está disponível gratuitamente para adolescentes e mulheres com vida sexual ativa entre 14 e 49 anos. Para solicitar o implante, é necessário procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro, sendo obrigatória a presença de um responsável no caso de menores de idade.

Redução da gravidez na adolescência

Os dados da Secretaria de Saúde mostram uma tendência consistente de redução da gravidez na adolescência. Entre meninas de 10 a 14 anos foram registrados três nascimentos em 2023, cinco em 2024, quatro em 2025 e apenas um até abril de 2026. Já na faixa etária de 15 a 19 anos, os registros passaram de 119 nascimentos em 2023 para 107 em 2024, 102 em 2025 e 35 até abril deste ano.

Outro resultado destacado pela Secretaria é que, até julho de 2026, o município não registrava nenhuma gestante com menos de 15 anos em acompanhamento, indicador atribuído às ações de educação em saúde, ao fortalecimento do planejamento reprodutivo e à ampliação do acesso aos métodos contraceptivos de longa duração.

Impacto na saúde infantil

A política também tem refletido positivamente na saúde das crianças. O índice de mortalidade infantil em Cubatão caiu de 16,8 óbitos por mil nascidos vivos, registrado em dezembro de 2025, para 8 por mil em junho de 2026. Segundo a Secretaria de Saúde, a redução superior a 50% demonstra o fortalecimento da Rede de Atenção Materno-Infantil, com ações integradas de planejamento reprodutivo, pré-natal qualificado, acompanhamento das gestantes e cuidado integral à criança.

A melhora dos indicadores também é resultado da reestruturação iniciada em 2023, quando o município registrou 23 óbitos por mil nascidos vivos. A partir desse cenário, foi implantado o Plano de Ação para Redução da Mortalidade Infantil e da Sífilis Congênita, priorizando a ampliação do pré-natal, a identificação precoce de gestações de risco e a busca ativa de gestantes que interromperam o acompanhamento.

Entre as medidas adotadas também estão o fortalecimento da cobertura vacinal de crianças menores de um ano, a ampliação do atendimento odontológico às gestantes e a intensificação da realização de exames para HIV, hepatites e outras condições que podem interferir na saúde materno-infantil.

A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, contribuindo para o ODS 3 – Saúde e Bem-Estar e o ODS 10 – Redução das Desigualdades.